sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Papelaria Fernandes propõe "harmónio" até 20 milhões de euros

Aceite que foi o plano de recuperação pelo IAPMEI na semana passada, a administração da Papelaria Fernandes (PF) apressa-se a propor a reestruturação financeira da retalhista aos accionistas. Está marcada para o próximo dia 30 de Dezembro a assembleia geral extraordinária que decidirá a aprovação ou "chumbo" de um plano que exigirá novas entradas de dinheiro. Joe Berardo, um dos principais accionistas, está ainda a analisar o dossier.

O que a administração da rede especializada em artigos de papelaria, cotada em bolsa, veio propor no final de quarta-feira passada, de acordo com a convocatória emitida ao mercado, é aquilo que se designa por operação "harmónio" - assim referida vulgarmente porque pressupõe primeiro a redução e depois o aumento de capital.

Hoje com um capital social de 13,75 milhões de euros, a PF passará a deter primeiro, um capital reduzido de 4,89 milhões de euros e, posteriormente, aumentado para 20,07 milhões de euros. Este aumento, explica a direcção da PF na convocatória, é feito "mediante a realização de novas entradas em dinheiro e posterior emissão de novas acções". O valor das novas acções será de 1,8 euros, o mesmo com que ficarão as "antigas" acções após a redução de capital (o valor nominal actual é de cinco euros, e, em bolsa, os títulos fecharam ontem nos 2,70 euros.

Perdas de 23,34 milhões

Em documento anexo, a direcção da PF pede aos accionistas que aprovem "a cobertura de 23,34 milhões de euros de perdas evidenciadas no balanço", através da mobilização de 10,35 milhões de reservas livres e de 4,31 milhões de euros de prémios de emissão de acções; e por redução de 8,67 milhões de euros em capital social. O aumento far-se-á pela emissão de 8,43 milhões de novas acções, cuja "admissão à cotação no mercado de cotações oficiais da Euronext Lisbon" será ainda "solicitada".

Contactada a empresa, fonte oficial afirmou que, como "sociedade aberta, a subscrição de novas acções da PF será pública", remetendo questões accionistas para a Fundação Ernesto Estrada, que controla a sociedade. Já Joe Berardo, o terceiro maior accionista da PF, com 20%, afirmou estar ainda a analisar as propostas.

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