
O Museu do Papel, no concelho da Feira, é o único do país dedicado à indústria papeleira e celebra esta semana 10 anos, garantindo a diretora que a contenção obriga a "soluções criativas", mas não afeta a afluência de público.
"Tendo como referência os dados estatísticos de final do mês de setembro, a verdade é que o contexto de contenção não se refletiu ainda na afluência de públicos e, comparativamente ao mesmo período do ano passado, constatamos até um significativo aumento", declarou à Lusa Maria José Santos.
"Quanto aos reflexos da crise na gestão do Museu, obviamente que não os podemos ignorar", admite essa responsável. "Mas cabe agora ao Museu do Papel, com as limitações a que a realidade atual obriga, encontrar soluções criativas que, assegurando uma dinâmica cultural de qualidade, prestigiem este projeto".
Afirmando que essa gestão "passa por uma maior aproximação à comunidade científica, artística e empresarial", Maria José Santos adianta que o equipamento que dirige em Paços de Brandão está agora a desenvolver uma parceria com o Museu de Papel de Fabriano, em Itália, e com a Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, no âmbito do projeto internacional "Marche d'acqua" (traduzível por "Marcas d'Água").
"Foram já selecionados pelo júri internacional dois jovens artistas daquela faculdade, ambos concorrentes ao prémio Fabriano Watercolour 2012", explica essa responsável, "e, na sequência desta parceria, o Museu do Papel irá receber entre 2012 e 2013 - sem custos para o município - essa importante bienal internacional de Aguarela".
Quanto ao balanço da atividade desenvolvida no Museu desde a sua inauguração a 26 de outubro de 2001, Maria José Santos garante: "Foram 10 intensos anos de dedicação à museologia industrial e à história do papel em Portugal, e, de um modo particular, à história do papel no concelho de Santa Maria da Feira".
"Esta dedicação esteve presente numa concretização faseada e coerente de todo o programa museológico", refere a mesma responsável, recordando que, à data da inauguração do Museu, a sua oferta cobria "somente a fase manufatureira" do sector, pelo que no edifício do antigo "Engenho da Lourença" apenas se dava a conhecer o fabrico manual de folhas artesanais e a produção industrial de papel reciclado.
Entretanto, tanto no espaço do antigo engenho como no segundo edifício resultante do restauro a que foi sujeita a desativada Fábrica dos Azevedos, "foram criadas novas áreas quer de exposição, quer de serviços museológicos", assim como novos espaços de acolhimento aos visitantes.
Maria José Santos reconhece a essas estruturas as "condições para uma resposta de qualidade aos desafios de uma nova museologia" e para "o desenvolvimento de projetos e atividades com públicos diferenciados", mas assegura que esses objetivos se concretizam sem que se perca "a marca que faz parte da identidade do Museu do Papel - o facto de ser, simultaneamente, um museu e uma fábrica em atividade".
Para a diretora do único espaço nacional dedicado à museologia papeleira, essa conjugação entre o passado da indústria e as exigências do presente expressa-se de forma particularmente simbólica no "Turno da Noite" - a iniciativa que, integrando o programa da Noite Europeia dos Museus, permite a visita ao Engenho da Lourença e à Fábrica dos Azevedos fora do seu horário de funcionamento normal, à luz de candeias e com acompanhamento musical durante a madrugada, com atuações ao vivo ou por DJ.
"Vai já na sua 7.ª edição e é sem dúvida o grande evento do Museu do Papel, pela afluência que nos traz de público jovem, numa noite que é sempre mais longa do que o previsto". confessa Maria José Santos.
@Lusa
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.*
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